Nosso ambiente

Trabalho sobre Cerrado

Fonte: tvecologica.wordpress.com

Fonte: tvecologica.wordpress.com

Localização

Ocupa cerca de dois milhões de km2, abrangendo os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, o Distrito Federal e partes de São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Piauí e Bahia. Isso representa cerca de 25% do território nacional.

Caracterização

Ambiente Físico:

O cerrado é o segundo maior bioma do país. Constituido por bacias hidrográficas e chapadões, relevo característico da região central do Brasil.

SOLO

O solo do Cerrado é pobre em nutrientes, mas rico em ferro e alumínio. Ele é profundo, de cor vermelha amarelada, arenoso, permeável e com baixa fertilidade natural. A superfície tem pouca capacidade de absorver água. Entretanto, por baixo deste solo de antiga formação, está uma grande reserva de água.

RELEVO

No Cerrado são comuns duas formações de relevo: os terrenos planos e as chapadas, planaltos que se caracterizam pela presença de esplanadas nos seus topos. Apenas cerca de 10% das áreas de cerrado possuem mais de 900 metros de altura.  Fazem parte desse grupo alguns pontos da Serra do Espinhaço, como o Pico do Itacolomi, com 1.797 metros de altitude, e da Serra da Caraça, como o Pico do Sol, com 2.070 metros. Em termos de altura, também se destacam alguns planaltos da Chapada dos Veadeiros, que chegam a atingir 1.700 metros.

ÁQUA

Os rios do Cerrado estão agrupados em três bacias hidrográficas localizadas na área do bioma: a do rio Tocantins, a do rio São Francisco e a do rio da Prata.

CLIMA

O clima é chamado tropical sazonal. É quente e quase não venta no cerrado. A temperatura média anual varia entre 21ºC e 27ºC. Entre maio e setembro o Cerrado permanece seco; de outubro a abril chove bastante.

No período seco, em alguns locais, a vegetação pega fogo espontaneamente. Esta queimada “natural” das plantas é algo que acontece de forma regular e que passou a condicionar a vida da flora. Existem algumas espécies de vegetais, por exemplo, que só florescem após o período de queimadas. As plantas reflorescem por conta das raízes profundas e caules subterrâneos das árvores, que garantem sua sobrevivência mesmo com a superfície do solo em cinzas.

 Ambiente Biológico:

VEGETAÇÃO

São cerca de doze mil espécies vegetais. A vegetação apresenta algumas características gerais: ela é normalmente baixa, com plantas esparsas e aparência seca. Dentro do que se chama cerrado brasileiro podem ser encontrados cerradões, campos limpos, campos sujos, campos cerrados, cerrados no sentido amplo, cerrados no sentido restrito, matas secas e matas de galeria ou ciliares.

O cerradão é um tipo mais denso de vegetação, no qual podem ser encontradas árvores mais altas, com até quinze metros de altura. Campos limpos são as áreas sem mata, cobertas de gramíneas. São terrenos planos, vales e colinas. Nos campos sujos predominam arbustos espaçados. As árvores aparecem ainda mais distantes uma das outras nos campos cerrados, onde, assim como nos campos limpos, predominam as gramíneas. Os campos cerrados constituem um dos ambientes mais prejudicados por queimadas no Cerrado.

Foto de Ricardo Mattos. Fonte: www.trekearth.com

Foto de Ricardo Mattos. Fonte: http://www.trekearth.com

Os campos de sentido amplo são aqueles que apresentam reunidas todas as formações vegetais do Cerrado; já os campos de sentido restrito caracterizam-se por um único tipo de vegetação, que se reduz a árvores baixas, retorcidas e inclinadas.

Nas matas secas, estão concentradas árvores que perdem suas folhas nos períodos mais secos. Isso não acontece nas matas de galeria ou ciliares, que aparecem próximas a córregos e riachos. Nas matas de galeria, a vegetação permanece verde por todo o ano.

As árvores e os arbustos possuem mecanismos de adaptação a este ambiente árido. É comum, por exemplo, árvores com raízes profundas, as quais permitem atingir mais facilmente o lençol freático, reservatório subterrâneo de água. Além disso, muitas espécies vegetais apresentam caules de cascas mais grossas e folhas espessas, o que evita a perda de água.  

São árvores características da região a sucupira, a copaíba, a peroba-do-campo e o ipê-do-cerrado.

FAUNA

Na região do cerrado podem ser encontradas 67 espécies de mamíferos, 837 de aves, 120 de répteis e 150 de anfíbios.  Podemos citar o macaco-prego, o sagui, o rato do mato, a anta, a capivara, o veado campeiro e a onça-pintada. Falando dos mamíferos ameaçados de extinção, podemos citar o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra e o lobo-guará.

As aves presentes no cerrado são: papagaios, urubus, gaviões, sabiás, siriemas, gralhas e codornas. Entre os répteis característicos deste bioma estão a jararaca, a cascavel, a sucuri e também cágados, jabutis e lagartos.

No cerrado também estão presentes importantes insetos como os cupins, as formigas, as abelhas e os gafanhotos. Cupins, por exemplo, são garantia de alimento para tamanduás e tatus. As abelhas, por sua vez, exercem um papel fundamental na polinização das flores.

Ambiente Social:

As populações mais antigas do Cerrado são os povos indígenas. A grande maioria destes povos, foram forçados a fazer migrações constantes, devido ao avanço do colonialismo. Muitos já eram nômades, e exploravam o Cerrado através da caça e da coleta; alguns já praticavam a agricultura de coivara, ou uma agricultura itinerante, de corte e queima e posterior pousio. Muitos deles produzem grande quantidade (e com grande qualidade) de artesanato. Atualmente, a maioria destes povos está confinada em Terras Indígenas, e têm de adaptar seus modos de vida à disponibilidade de recursos, aos conflitos locais e à inclusão social. Já são muitas as organizações indígenas, e elas se fortalecem a cada dia, porém constantemente perdem batalhas para grandes fazendeiros e grandes empreendimentos. Valorizar suas culturas tradicionais, ter plenamente reconhecidos e adquiridos seus direitos e ao mesmo tempo se inserir de forma positiva na sociedade brasileira é atualmente o grande desafio destes povos.

As chamadas populações tradicionais do Cerrado incluem não só os indígenas, mas também povos negros ou miscigenados que, por muito tempo, ficaram em relativo isolamento nas áreas deste bioma, e tiveram que adaptar seus modos de vida aos recursos naturais disponíveis. São quilombolas, geraizeiros, vazanteiros, sertanejos, ribeirinhos, que aprenderam, ao longo de séculos, a retirar do Cerrado recursos para alimentação, utensílios e artesanato. Hoje grande parte se vê diante de um mundo no qual o conhecimento sobre a convivência com a natureza não é valorizado, e a lógica do trabalho pelo dinheiro predomina.

Nas ultimas décadas, o território ocupado pelo bioma Cerrado tem sofrido uma intensa invasão por populações e atividades até então ausentes. O processo de urbanização, principalmente depois da construção de Brasília, e a produção agropecuária, notadamente após o desenvolvimento de tecnologias de produção em larga escala, vêm transformando rapidamente as paisagens do bioma Cerrado, os modos de vida de suas populações, os ecossistemas, o regime hídrico. A agricultura intensiva de produção de grãos, os “reflorestamentos” de eucalipto para produção de celulose e carvão, a construção de barragens, os desmatamentos para abastecer de carvão as grandes siderúrgicas, tudo isso vem causando enormes impactos sociais e ambientais nos domínios do Cerrado, no entanto seus benefícios econômicos só se fazem sentir para poucos.

A situação do Cerrado e de suas populações mostra-se, portanto, um grande e complicado conjunto de interações, interesses, desafios e possibilidades. Recusar a lógica da exploração insustentável e do lucro a curto prazo parece ser essencial para a preservação da biodiversidade, dos recursos naturais e da cultura de seus povos tradicionais. Ao mesmo tempo, estabelecer atividades produtivas consistentes, que visem atender prioritariamente ao consumo local, mas também aos mercados nacional e global, sem prejudicar os processos ecológicos naturais, torna-se estratégico para gerar renda e demonstrar a viabilidade do desenvolvimento sustentável no Cerrado. Aliar o conhecimento dos povos que habitam o Cerrado há séculos ao da ciência investigativa voltada para as demandas socioambientais reais sem dúvida representa uma importante ferramenta a ser usada para se atingir estes objetivos.

Diagnose, situação atual e perspectivas:

Poucas são as unidades de conservação com áreas bem significativas, onde o Cerrado é o bioma dominante. Entre elas podemos mencionar o Parque Nacional das Emas (131.832 ha), o Parque Nacional Grande Sertão Veredas (84.000 ha), o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (33.000 hs), o Parque Nacional da Serra da Canastra (71.525 ha), o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (60.000 ha), o Parque Nacional de Brasília (28.000 ha). Embora estas áreas possam, à primeira vista, parecer enormes, para a conservação de carnívoros de maior porte, como a onça-pintada e a onça-parda, por exemplo, o ideal seria que elas fossem ainda maiores.

Se considerarmos que cerca de 45% da área do Domínio do Cerrado já foram convertidos em pastagens cultivadas e lavouras diversas, é extremamente urgente que novas unidades de conservação representativas dos cerrados sejam criadas ao longo de toda a extensão deste Domínio, não só em sua área nuclear mas também em seus extremos norte, sul, leste e oeste. A criação de unidades de conservação com áreas menos significativas não deve, todavia, ser menosprezada. Quando adequadamente manejadas, elas também são de enorme importância para a preservação da biodiversidade. Só assim se conseguirá, em tempo, conservar o maior número de espécies de sua rica e variadíssima flora e fauna.

A grande maioria das atuais unidades de conservação, sejam elas federais, estaduais ou municipais, acha-se hoje em uma situação de completo abandono, com sérios problemas fundiários, de demarcação de terras e construção de cêrcas, de acesso por estrada de rodagem, de comunicação, de gerenciamento, de realização de benfeitorias necessárias, de pessoal em número e qualificação suficientes etc. Quanto ao manejo de sua fauna e flora, então nem se fale. Pouco ou nada se faz para conhecer as populações animais, seu estado sanitário, sua dinâmica etc. Admite-se “a priori” que elas estão bem pelo simples fato de estarem “protegidas” por uma cerca, quando esta existe.

Na realidade, isto poderá significar o seu fim. Problemas de consangüinidade, viroses, verminoses, epidemias, poderão estar ocorrendo entre os animais, dizimando-os dramaticamente, e nem se sabe disto. Pesquisas a médio e longo prazo são essenciais para que possamos compreender o que acontece com as populações animais remanescentes nos cerrados. Paralelamente, espécies exóticas de gramíneas, principalmente as de origem africana, como o capim-gordura, o capim-jaraguá, a braquiária, estão invadindo estas unidades de conservação e substituindo rapidamente as espécies nativas do seu riquíssimo estrato herbáceo/subarbustivo. Dentro de alguns anos, ou décadas que seja, estas unidades transformar-se-ão em verdadeiros pastos de gordura, jaraguá ou braquiária e terão perdido, assim, toda a sua enorme riqueza de espécies de outrora.

Fontes:

www.tecsi.fea.usp.br

www.colegiosaofrancisco.com.br

www.ibama.gov.br

www.portalbrasil.net

www.socioambiental.org

http://www.eco.ib.usp.br/cerrado/aspectos_conservacao.htm

http://www.rts.org.br/entrevistas/entrevistas-2009/luis-carrazza-coordenador-da-central-do-cerrado

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