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Rio São Franscisco: Transposição para quem?

Mês passado (outubro), Lula juntamente com uma caravana de políticos e jornalistas convidados, visitaram os sertões de Minas, Bahia e Pernambuco com o pretesto de observar o andamento das obras de trasposição do rio São Francisco. Essa viagem foi considerada por muitos uma estratégia para propagar a candidatura de Dilma e a transposição, obra vista pelo próprio Lula como principal marca de seu governo no Nordeste.

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Para o governo a transposição é a solução da grande problemática da seca que aflige os moradores do semiárido brasileiro. Mas, um grande numero de pastorais, movimentos sociais e populações ribeirinhas se opõe a essa solução. Se eles não querem a transposição, entáo porque o governo não dá ouvidos? A verdade é a voz do povo não tem sonoridade suficiente para se sobrepor aos reais interessados na transposição. Quem fala em nome deles, de nós, é o próprio governo, que se faz de porta voz dos pobres, mas na verdade está escutando os interesses das grandes empreiteiras e do agronegócio voltado para a exportação.

O Rio São Francisco, conhecido como “rio da unidade nacional”, tem grande importância para o país não apenas pelo volume de água transportado, mas também, por sua contribuição histórica e econômica. Porém, a grave realidade do “Velho Chico” mostra que ele é um rio altamente debilitado por diversos problemas ambientais. Desde a sua nascente e por toda a sua extensão pode-se observar a existência de grandes áreas com desmatamento e queimadas que provocam o assoreamento do rio. Grandes quantidades de água são desviadas para projetos de irrigação diminuíndo perigosamente o seu volume e impossibilitando a navegação em diversos trechos, sem contar com a contaminação dessas águas por agrotóxicos que escorrem das plantações para o rio matando os peixes e outros animais aquáticos.

O governo alega que a transposição do rio São Francisco irá matar a sede de 12 milhões de nordestinos mas se contradiz imediatamente quando afirma que 70% das águas transpostas serão para agricultura (irrigação e carcinicultura), 26% para usos urbano-industriais e apenas 4% para a população difusa! Está claro que o que está em jogo é a manuntenção do mito da seca, que sempre fortaleceu o poder político e aumentou o patrimônio particular da elite nordestina justificando a implementação de obras que mobilizam grandes investimentos, e que nem sempre são concluídas. A questão da seca não se resume a falta de água, o problema e a má distribuição e captação dela. Para solucionar essa questão vários pesquisadores afirmam que existem soluções locais muito mais baratas, como a construção de cisternas e adutoras. O que os sertanejos precisam é que os rios da região sejam revitalizados, para isso suas margens devem ser reflorestadas e preservadas, e as águas devem ficar livres de contaminação. Sem falar que qualquer projeto que preveja alterações deve avaliar os impactos ambientais e ser discutido com a população, para que eles possam participar das tomadas de decisão.

Foram publicadas várias notícias sobre a viagem da “Caravana Lula” pelo sertão. Algumas delas mostraram os problemas causados pelas obras da transposição, como a desistência da frente paraibana de prefeitos por causa dos elevados custos que terão que arcar, as denúncias de aumento no número de adolescentes grávidas por conta da circulação de trabalhadores das obras a previsão de inundação de terras indígenas, dentre outras. Diante dessa triste realidade, uma voz ecoa: “Transposição não!”, mas tem gente tapando os ouvidos…

A Frente Cearense Por um Nova Cultura da Água realizou um documentário que aponta a face verdadeira das intenções do projeto de tranposição e mostra a realizade dos que sofrem com os impactos ambientais dos projetos já realizados na região.

Outro vídeo interessante é o do Reporter Eco, com comentários de Washington Novaes

 

Visite o site da Articulação Popular São Franscisco Vivo

 

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